O Papa Leão XIV convidou os jovens a não terem medo de assumir compromissos duradouros e a reconhecerem o amor como uma vocação que exige escolhas, responsabilidade e disposição para enfrentar dificuldades. A mensagem está no prefácio do livro YOUCAT – Amor para sempre, publicação voltada à preparação de jovens para o matrimônio, que será apresentada internacionalmente nesta terça-feira, 6 de outubro, em Roma.
“Deus chama vocês, queridos jovens, a esse grande amor. Não tenham medo da sua profundidade!”, escreve o Pontífice.
Inspirada pelo Papa Francisco, a obra reúne testemunhos de jovens de mais de 30 países e propõe uma reflexão sobre relacionamentos, compromisso e vida familiar à luz da fé católica.
Amar é mais do que sentir
No início do prefácio, Leão XIV reconhece o desejo dos jovens de encontrar um amor profundo, apaixonado e duradouro. Segundo ele, esse anseio faz parte da própria condição humana e encontra seu sentido mais profundo na relação com Deus.
O Papa recorda Santo Agostinho, cuja espiritualidade ocupa um lugar importante em sua trajetória, e retoma a conhecida afirmação: “Inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em Ti, ó Deus”.
Para Leão XIV, o amor humano pode ser transformado pela presença de Deus e tornar-se expressão de serviço, generosidade e perdão.
Ao abordar especificamente o relacionamento entre homem e mulher, o Pontífice afirma que a intensidade dos sentimentos, embora importante, não é suficiente para sustentar uma união.
O amor verdadeiro, explica, “não é simplesmente um sentimento fugaz, que se acende só por um instante”.
“É um ‘sim’ profundo ao outro, uma decisão, um caminho e uma aliança para a vida toda”, acrescenta.
O matrimônio como compromisso construído diariamente
Na reflexão, Leão XIV apresenta o matrimônio como uma experiência em que o amor se manifesta por meio da fidelidade, do perdão e do esforço cotidiano pelo bem do outro.
Para o Papa, a relação matrimonial não se sustenta apenas na expectativa de receber afeto, mas na disposição de amar de maneira generosa.
Por isso, propõe uma mudança de perspectiva: antes de perguntar “O que recebo em troca?”, os jovens são convidados a questionar “Como posso amar como Cristo amou?”.
O Pontífice também reconhece que o amor humano enfrenta limitações e dificuldades. A vida matrimonial, portanto, não é apresentada como uma experiência livre de conflitos, mas como um caminho de crescimento.
“Não é perfeito, mas cresce à luz da fé”, afirma.
Ao recordar a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, Leão XIV destaca a paciência e a generosidade como características fundamentais do amor cristão.
Um amor que se aprende na entrega
O Papa aponta a cruz de Cristo como a maior expressão do amor que se doa. Para ele, o mandamento de Jesus de amar uns aos outros oferece um critério para compreender os relacionamentos e os compromissos assumidos ao longo da vida.
Essa perspectiva está no centro da proposta do novo YOUCAT, que pretende ajudar os jovens a refletirem sobre a construção de relações sólidas e sobre o significado do compromisso matrimonial.
A publicação reúne experiências de jovens de diferentes países e busca apresentar o matrimônio não apenas como uma celebração, mas como uma decisão que se renova ao longo da vida.
“Ele serve como preparação para um ‘sim’ que não é para apenas um dia, mas para a vida toda”, escreve Leão XIV.
Livro inspirado pelo Papa Francisco
A apresentação internacional de YOUCAT – Amor para sempre acontece no Centro Internacional Juvenil São Lourenço, em Roma, com a participação de representantes da Igreja e colaboradores do projeto. A programação prevê uma celebração eucarística presidida por dom John Joseph Kennedy, secretário do Dicastério para a Doutrina da Fé, além de testemunhos e da apresentação audiovisual do prefácio escrito por Leão XIV.
Ao concluir sua mensagem, o Pontífice recorda que a publicação foi inspirada pelo Papa Francisco e dirige uma oração aos jovens que terão acesso ao material. Leão XIV pede que o Espírito Santo os acompanhe em suas escolhas e que, a exemplo de Maria, respondam com confiança e coragem àquilo que define como “a mais bela de todas as vocações: a vocação ao amor”.