Cerca de 80 mil jovens participaram da vigília de oração com o Papa Leão XIV no Stade de France, em Saint-Denis, durante a viagem apostólica do Pontífice à França. Em um encontro marcado pelo diálogo, o Papa respondeu a perguntas sobre o testemunho cristão em uma sociedade plural e sobre como discernir os caminhos da própria vida.
Antes de responder aos jovens Chloé e François, Leão XIV agradeceu a presença e a fé dos participantes. “Obrigado por sua coragem, por sua presença e por sua fé. Vocês são os santos da França”, afirmou, sendo aplaudido pela multidão. O encontro também contou com a saudação do bispo de Saint-Denis, dom Étienne Guillet, testemunhos de jovens e apresentações artísticas.
Testemunhar a fé com coragem e respeito
Uma das questões apresentadas ao Papa tratou do desafio de testemunhar a fé diante de pessoas que não compartilham as mesmas convicções religiosas. Leão XIV ressaltou que a mensagem cristã não deve ser compreendida como obstáculo à convivência fraterna. Para o Pontífice, é possível anunciar Cristo com convicção e, ao mesmo tempo, respeitar aqueles que possuem outras crenças.
Ao recordar a afirmação de São Paulo, “Para mim, viver é Cristo”, o Papa destacou que a fé oferece uma perspectiva na qual Deus permanece próximo da existência humana. “Em Cristo, sabemos que Deus nunca é indiferente ao homem”, afirmou.
Segundo Leão XIV, o anúncio cristão deve apresentar Cristo como Evangelho da salvação, “palavra de verdade e vida”, capaz de oferecer uma proposta de liberdade e de vida nova.
Discernimento passa pela oração, ação e silêncio
A segunda pergunta apresentada ao Papa abordou o discernimento. Leão XIV ofereceu aos jovens alguns critérios para reconhecer os caminhos e as escolhas que orientam a própria vida.
“Queridos amigos, é nesta amizade com Jesus que se realiza o nosso discernimento, uma reflexão que se faz invocando o Espírito Santo. Trata-se de um exercício constante para caminharmos de forma ordeira e segura”, explicou.
O primeiro ponto indicado pelo Pontífice foi a Palavra de Deus, apresentada como um farol para as decisões. A formação espiritual, acrescentou, precisa integrar oração, ação e silêncio, dimensão que considerou particularmente necessária em uma sociedade marcada por estímulos constantes. O Papa também convidou os jovens a conhecerem o testemunho dos santos. Entre os exemplos franceses, mencionou São João Maria Vianney, Santa Teresa de Lisieux e a Beata Pauline Jaricot.
Gratidão diante da ansiedade e da incerteza
Leão XIV também relacionou o discernimento aos sentimentos de ansiedade e incerteza que podem acompanhar as decisões sobre o futuro. Em vez de permitir que o medo determine as escolhas, o Papa propôs um exercício de gratidão.
“Para vencer a ansiedade e a incerteza, tenham a coragem de dizer uma única palavra, simples e belíssima: obrigado. Obrigado, Jesus, pelo teu amor”, afirmou.
A partir dessa confiança, acrescentou, os jovens podem responder à própria vocação com disponibilidade: “Eis-me aqui, Senhor!”.
Cruz e túnica como sinais de esperança
Após o diálogo, a vigília prosseguiu com um momento de oração. Leão XIV rezou diante da chamada Santa Túnica de Argenteuil, relíquia venerada pela tradição cristã como a veste utilizada por Jesus durante a Paixão.
Em sua meditação, o Papa relacionou a túnica à cruz. A primeira representa aquilo que foi “tirado de Cristo”; a segunda, aquilo que foi “dado a Cristo”. Para Leão XIV, os dois elementos remetem à Paixão, mas também ajudam a compreender a esperança cristã.
“É assim que a cruz, de instrumento de morte, passa a ser sinal de esperança”, afirmou.
O encontro no Stade de France reuniu, assim, oração e diálogo sobre questões presentes na vida das juventudes. Diante das dúvidas sobre fé, futuro e vocação, Leão XIV deixou um convite à confiança: cultivar a amizade com Jesus, aprender a discernir e não permitir que o medo tenha a palavra final.