Material disponível

CNBB mobiliza comunidades para a 10ª Jornada Mundial dos Pobres

Celebrada de 8 a 15 de novembro, iniciativa propõe superar ações assistencialistas e fortalecer o protagonismo das pessoas empobrecidas. Subsídio gratuito reúne orientações pastorais, propostas litúrgicas e iniciativas concretas para paróquias e dioceses

Da redação com CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora (Cepast), disponibilizou materiais de apoio para a realização da 10ª Jornada Mundial dos Pobres, que acontecerá de 8 a 15 de novembro de 2026. A mobilização convida comunidades, paróquias, dioceses, pastorais sociais e organizações da sociedade civil a transformarem a solidariedade em ações permanentes de promoção da dignidade humana e enfrentamento das desigualdades.

Com o lema bíblico “O Senhor é o refúgio do pobre” (cf. Sl 14,6) e o chamado “Minha comunidade eclesial transforma o mundo”, a edição deste ano propõe uma mudança na maneira como as comunidades cristãs se relacionam com as pessoas em situação de pobreza.

A proposta é ultrapassar iniciativas pontuais de assistência e reconhecer as populações empobrecidas como protagonistas de sua própria história, capazes de participar das decisões e da construção de respostas para os problemas enfrentados em seus territórios.

Instituída pelo Papa Francisco em 2016, a Jornada Mundial dos Pobres é celebrada anualmente no 33º Domingo do Tempo Comum. Em 2026, sua décima edição também dialoga com a memória dos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, cuja vida foi marcada pela proximidade com os pobres e pelo compromisso com a fraternidade.

Acolher, escutar e transformar

A proposta pastoral da Jornada está organizada em três atitudes: acolher, escutar e transformar.

O primeiro compromisso é tornar paróquias e comunidades espaços de acolhimento, cuidado e proteção, nos quais as pessoas em situação de vulnerabilidade encontrem apoio e orientação para o acesso aos seus direitos.

A escuta ocupa uma posição central na metodologia. A Comissão propõe superar a prática de falar apenas sobre os pobres e construir processos nos quais eles próprios possam expressar suas experiências, necessidades e propostas.

O terceiro eixo, transformar, convida as comunidades a avançarem da solidariedade imediata para iniciativas que enfrentem as causas estruturais da pobreza, incluindo a defesa da moradia digna, a soberania alimentar, a organização popular e a superação das desigualdades.

A intenção é que a Jornada não se encerre após uma semana de atividades, mas contribua para estabelecer compromissos pastorais e sociais que possam ser acompanhados ao longo dos 12 meses seguintes.

Subsídio reúne dados sociais e propostas para as comunidades

Para apoiar a mobilização, a Cepast preparou um subsídio gratuito com reflexões, artigos temáticos, orientações litúrgicas e sugestões de atividades para diferentes realidades locais.

O material também apresenta dados sobre a pobreza no Brasil. Segundo os números reunidos no documento, a pobreza monetária atinge 25,1% da população brasileira, enquanto mais de 350 mil pessoas vivem em situação de rua. A questão da moradia recebe atenção especial, em continuidade às reflexões propostas pela Campanha da Fraternidade 2026.

Entre as atividades sugeridas estão refeições compartilhadas entre voluntários e pessoas acolhidas, cozinhas solidárias, hortas comunitárias, mutirões para acesso à documentação e aos serviços públicos, visitas a ocupações e comunidades periféricas, além de assembleias locais para identificar necessidades e estabelecer prioridades de atuação. A Comissão também incentiva a construção de parcerias com organizações populares, defensorias públicas e instituições que atuam na garantia de direitos.

Comunidades são convidadas a assumir compromissos duradouros

A Jornada deste ano propõe que cada comunidade identifique as situações de pobreza presentes em seu território e desenvolva respostas a partir da escuta das pessoas diretamente afetadas.

Uma das sugestões é a realização de assembleias comunitárias para mapear dificuldades relacionadas à alimentação, moradia, documentação, trabalho e acesso a serviços essenciais.

Com base nesse levantamento, paróquias e pastorais poderão definir ações concretas e acompanhar sua execução ao longo do ano. A proposta reforça a compreensão de que o enfrentamento da pobreza não deve depender exclusivamente de campanhas ocasionais, mas integrar a missão permanente das comunidades eclesiais.

Identidade visual destaca Cristo próximo dos pobres

A identidade visual da 10ª Jornada Mundial dos Pobres foi desenvolvida pelo artista Anderson Augusto Pereira e apresenta Jesus cercado por crianças, famílias, trabalhadores e comunidades.

A composição também incorpora elementos da natureza e do cotidiano, estabelecendo uma relação entre justiça social, cuidado com a criação e dignidade humana. Na proposta visual, Cristo aparece como presença que acolhe e reúne, expressando o sentido do lema bíblico escolhido para a Jornada.

A imagem procura traduzir a ideia de uma Igreja que se torna refúgio quando suas comunidades oferecem acolhimento, partilha e condições para que as pessoas vivam com dignidade.

Mobilização nacional terá encontro virtual e atividades em novembro

A programação nacional da Jornada começou em 8 de outubro, com o lançamento da campanha nos canais digitais da Cepast.

No dia 29 de outubro, às 19h30, está prevista uma transmissão ao vivo de mobilização, nos canais da Comissão e de instituições parceiras no YouTube.

Entre 8 e 15 de novembro, dioceses, paróquias, pastorais e organizações locais são convidadas a promover atividades de escuta, solidariedade e defesa de direitos.

O encerramento acontecerá em 15 de novembro, Dia Mundial dos Pobres, com destaque para as celebrações eucarísticas e iniciativas realizadas com as populações empobrecidas.

A Cepast também incentiva a divulgação das ações nas redes sociais, utilizando as hashtags #XJMP, #JMP2026, #DiaMundialdosPobres e #MinhaComunidadeTransforma.

Materiais disponíveis para as comunidades: o subsídio da 10ª Jornada Mundial dos Pobres reúne orientações e propostas pastorais. Os materiais de mobilização e identidade visual também estão disponíveis gratuitamente.

A décima edição da Jornada reforça o chamado para que a atenção às pessoas empobrecidas não seja compreendida apenas como uma atividade assistencial, mas como parte constitutiva da missão evangelizadora da Igreja. O compromisso proposto é fazer da escuta um caminho de participação e da solidariedade uma prática capaz de produzir transformações concretas na vida das comunidades.

Fonte: CNBB — Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora (Cepast).

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