Resgatar a humanidade

Antes das redes, os rostos – A Vocação de comunicador vai além da criatividade para postagens

Há uma pergunta que talvez precisemos fazer antes de pensar em uma postagem, escolher uma fotografia, criar uma arte ou apertar o botão “publicar”: quem está diante de nós? Antes de sermos comunicadores nas redes sociais, somos batizados e o Batismo nos insere em uma comunidade, em uma Igreja que evangeliza...

Ana Corazza via PASCOM BRASIL

Há uma pergunta que talvez precisemos fazer antes de pensar em uma postagem, escolher uma fotografia, criar uma arte ou apertar o botão “publicar”: quem está diante de nós?

Antes de sermos comunicadores nas redes sociais, somos batizados e o Batismo nos insere em uma comunidade, em uma Igreja que evangeliza não apenas por aquilo que publica, mas também pela maneira como acolhe, escuta e se relaciona.

A comunicação cristã começa no encontro por isso, talvez uma das primeiras perguntas que um comunicador da Pascom deva fazer não seja “o que vamos publicar?”, mas “quem precisa ser acolhido hoje?”.

Acolher também é evangelizar

Há pessoas que chegam à comunidade pela primeira vez outras estão ali há anos, mas permanecem invisíveis, há quem esteja procurando respostas, quem esteja atravessando uma dor, quem tenha chegado sozinho ou quem simplesmente precise sentir que pertence àquele lugar.

Será que percebemos esses rostos? Será que escutamos essas vozes? Será que nossa comunidade comunica, por meio de seus gestos, que existe lugar para cada pessoa?

O Papa Leão XIV, ao propor para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais o tema “Preservar vozes e rostos humanos”, nos recorda que o rosto e a voz revelam a singularidade de cada pessoa e nos convidam ao encontro. Não são apenas imagens ou sons: carregam histórias, dignidade e humanidade e para a Pascom, essa reflexão é um chamado, porque comunicar não é apenas alcançar pessoas,  é encontrá-las.

O comunicador cristão precisa ir, ver e escutar

O Papa Francisco insistiu, em suas mensagens para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, em movimentos essenciais para uma comunicação verdadeiramente humana: ir e ver, escutar e falar com o coração. Em 2022, ao refletir sobre a escuta, Francisco nos lembrou da importância de ouvir verdadeiramente a pessoa que está diante de nós. Escutar é mais do que ouvir sons: exige proximidade, atenção e abertura ao outro. Em 2023, ao falar sobre a comunicação do coração, recordou que, depois de ir, ver e escutar, somos chamados a falar com o coração, construindo uma comunicação aberta, acolhedora e capaz de dialogar.

Antes de comunicar, precisamos aprender a estar presentes.

Uma Igreja acolhe quando alguém é recebido pelo nome, quando existe um olhar atento, quando alguém percebe que uma pessoa está sozinha, quando há disponibilidade para ouvir, quando uma dúvida é recebida com paciência, quando quem chega encontra não apenas uma porta aberta, mas uma comunidade que o reconhece como irmão e irmã.

Tudo isso comunica e tudo isso evangeliza.

Acolher também é comunicar

Uma Igreja comunica antes mesmo que a missa comece.

Comunica pela porta aberta, pela maneira como alguém é recebido, pelo olhar de quem está na entrada, pelo sorriso de quem reconhece um rosto e pela disponibilidade de quem pergunta: “Seja bem-vindo, Boa missa ou, Posso ajudar você?”.

Ao falar sobre a cultura da acolhida, o Papa Leão XIV destacou a importância da escuta, da hospitalidade e da assistência, lembrando que acolher significa colocar-se à escuta das vozes, cruzar os olhares e reconhecer a presença de Deus nas pessoas.

Isso também é Pascom!

Porque acolhida é comunicação e comunicação, quando nasce do Evangelho, torna-se encontro e cuidado.

Talvez a fotografia mais importante feita por um pasconeiro seja aquela que nunca será publicada: o rosto de alguém que ele percebeu, escutou e acolheu, talvez a mensagem mais evangelizadora seja uma conversa que nunca chegou às redes sociais, talvez um simples “seja bem-vindo” possa ser o primeiro anúncio de que aquela pessoa é amada por Deus.

O comunicador que acolhe anuncia o Evangelho

A Pascom é chamada a comunicar a vida da Igreja, mas também a ajudar a Igreja a viver uma comunicação verdadeiramente humana, uma comunicação que cria pontes, aproxima, escuta, cuida, dá voz, reconhece rostos e faz as pessoas se sentirem pertencentes.

Por isso, a vocação do comunicador vai muito além da criatividade para postagens ela está no olhar que percebe, no ouvido que escuta, na palavra que acolhe, na presença que acompanha e no gesto que aproxima.

Somos comunicadores porque somos discípulos e somos discípulos chamados a evangelizar também por meio dos nossos encontros.

Uma pergunta para levar conosco

Quando eu chego à comunidade, procuro o que posso registrar ou procuro quem precisa ser encontrado?

Talvez a vocação do agente de comunicação (Pascom) seja justamente essa,  ser alguém que vê o que outros não perceberam, escuta o que outros não ouviram e acolhe quem ainda não encontrou um lugar.

E quando fazemos isso, talvez estejamos comunicando o Evangelho da forma mais bonita que existe: com um rosto que acolhe, uma voz que escuta e uma presença que faz o outro perceber que ele não está sozinho.

Antes das redes, os rostos, antes dos conteúdos, as pessoas, antes de comunicar sobre alguém, comunicar-se com alguém.

Que a nossa Pascom seja capaz de comunicar não apenas com boas imagens e palavras, mas com comunidades onde cada pessoa possa encontrar acolhida, escuta e pertencimento; comunidades onde a comunicação seja, acima de tudo, um caminho de encontro com o outro e de anúncio da Boa-Nova de Jesus Cristo.

Por: Ana Corazza via PASCOM BRASIL

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