O V Encontro Nacional da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT+ teve início nesta sexta-feira (30) e prossegue até segunda-feira, 2 de novembro. A programação reúne mais de 60 participantes, representantes de 22 dos 29 grupos que integram a Rede, provenientes de 11 estados e do Distrito Federal. Com o tema “Uma Igreja para todos, todos e todos: diversidades, missão e sinodalidade”, o encontro propõe aprofundar a participação dos católicos LGBT+ na vida e na missão da Igreja. A metodologia está organizada em torno de três verbos: escutar, discernir e caminhar , inspirados no processo do Sínodo sobre a Sinodalidade.
Entre os principais assuntos da programação está o relatório final do Grupo de Estudo nº 9, dedicado aos critérios teológicos e às metodologias sinodais para o discernimento de questões doutrinárias, pastorais e éticas emergentes. O documento, divulgado em maio de 2026, aborda, entre outras questões, a experiência de pessoas homossexuais na Igreja e a importância de considerar seus testemunhos nos processos de escuta e discernimento pastoral. O encontro também terá uma dimensão organizativa, com a eleição de representantes para a nova coordenação da Rede Nacional.

Comunhão e contribuição dos católicos LGBT+ no ambiente eclesial
A abertura contou com a participação de dom Arnaldo Carvalheiro Neto, bispo da Diocese de Jundiaí (SP) e referencial episcopal da Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT+. Em sua reflexão, o bispo destacou a importância dos vínculos construídos pela fé e da comunhão entre pessoas de diferentes regiões do país. Ao recordar seu primeiro ano de acompanhamento à Rede, manifestou reconhecimento pela caminhada dos grupos.
“Isso, para mim, tem sido uma das maiores alegrias do meu ministério episcopal. Como é bom estar com vocês, como é bom caminhar com vocês”, afirmou.
Dom Arnaldo também reconheceu as dificuldades enfrentadas por pessoas LGBT+ em suas experiências eclesiais. “Eu sei que muitos de vocês têm tantos motivos para estar fora da Igreja, para ter raiva da Igreja. E têm muitos, muitos sérios”, declarou. O bispo ressaltou, entretanto, a perseverança daqueles que continuam vivendo a fé e buscando participar da comunidade cristã.
Outro ponto de sua fala foi a contribuição que os católicos LGBT+ podem oferecer à própria Igreja. Ao recordar uma reflexão do padre jesuíta Luís Corrêa Lima, dom Arnaldo afirmou que tem procurado compreender como as experiências dessas pessoas podem contribuir para processos de conversão e amadurecimento eclesial. Para o bispo, os participantes são chamados a reconhecer seus dons e talentos e colocá-los a serviço da evangelização. Ao final, manifestou o desejo de que retornem às comunidades fortalecidos pela experiência de comunhão e pelo compromisso missionário.

Relatório do Sínodo orienta reflexões do encontro
O aprofundamento do relatório do Grupo de Estudo nº 9 constitui um dos principais momentos formativos da programação. O texto foi elaborado no contexto do processo sinodal iniciado pelo Papa Francisco e apresenta orientações metodológicas para abordar questões que exigem aprofundamento teológico, escuta das experiências humanas e discernimento pastoral.
Entre os assuntos tratados, o documento considera testemunhos de pessoas homossexuais que vivem a fé católica, incluindo experiências de dificuldades, conflitos e participação eclesial. Sua proposta é oferecer critérios para o discernimento, sem estabelecer respostas definitivas para todas as questões examinadas. A escolha desse documento como referência para o encontro busca relacionar a caminhada dos grupos às reflexões desenvolvidas no âmbito do Sínodo, especialmente no que diz respeito à escuta, à participação e à corresponsabilidade na missão da Igreja.

Participantes esperam fortalecer comunhão e evangelização
A experiência de comunhão entre grupos de diferentes regiões do Brasil está entre as principais expectativas dos participantes. Em depoimento ao Ecossistema Em Diálogo, um integrante da Rede destacou o desejo de fortalecer os vínculos entre pessoas que compartilham a fé católica e desenvolvem atividades em suas comunidades.
“Primeiro é experimentar a comunhão enquanto parte de um grupo maior que caminha com a Igreja, que está em comunhão com a Igreja e que faz uma caminhada nas suas comunidades”, afirmou.
Para o participante, o encontro também representa uma oportunidade de refletir sobre a contribuição conjunta dos grupos para a evangelização, especialmente junto às pessoas LGBT+.
“Fazer comunhão e, a partir da comunhão com a Igreja, evangelizar”, sintetizou.
Até segunda-feira (2), a programação seguirá com momentos de escuta, reflexão e discernimento, celebrações, lançamento de livro, noite cultural, além da eleição da nova coordenação. A expectativa é que os trabalhos contribuam para fortalecer a articulação nacional dos grupos e sua participação na vida e na missão da Igreja.
