O diálogo entre fé e ciência é possível, desde que haja uma verdadeira atitude de escuta para com o interlocutor. Contudo, a problemática em torno da relação entre estes dois campos é regularmente abordada de forma simplista e, para justificar a ideia de que o conflito é inevitável, citam-se habitualmente os casos de Galileu e de Darwin, esquecendo os inúmeros casos de cientistas que articulam a sua prática, de forma equilibrada, com a fé. Além disso, inúmeros católicos, alguns deles clérigos, contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento de diversas áreas científicas, tais como Gregor Mendel, Georges Lemaître, ou entre nós, o P. Luís Archer.
Não deixa de ser verdade que a relação entre fé e ciência foi marcada, desde o início da modernidade, por vários conflitos. Porém, fé e ciência são campos que não se sobrepõem. São, acima de tudo, formas distintas de relação com o mundo. Trata-se de “mapas da realidade” distintos que nos permitem «olhá-la» e interpretá-la de um modo mais abrangente.








